sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Suicídio e Martírio

Por Gustavo Corção

Nos últimos dias de agosto, como se não bastassem os acontecimentos desse mês que nos pareceu ter trezentos dias, correu entre nós um boato que nos deixou sacudidos entre o gáudio e a tristeza: as irmãzinhas do Père Foucald, que se achavam no sertão de Goiás, vivendo entre os índios o obscuro esplendor da virgindade e da paciência, como Santa Rosa de Lima, teriam sido trucidadas pelos tapirapés ou por seus ferozes inimigos. A morte horrível das duas moças, cujas irmãs tantas vezes visitamos na casinha do morro de São Carlos, parecia-nos um sinal do céu, uma réplica que o sertão do Brasil dirigia à capital do Brasil, nesse diálogo de violências que nos encheu o mês de agosto, uma réplica de Deus a nos dizer que seu pendão orvalhara a nossa terra com o sangue dos mártires...

Ora, revolvia eu esses pensamentos de tristeza e de júbilo, quando ouvi alguém dizer, com pena das moças, que aquela missão em Goiás era um suicídio. Lembrei-me que dias atrás ouvira dizer, de um homem que se matou, que era um mártir. E quedei-me a pensar que a desordem política e econômica que nos infelicitara era ainda maior do que supunha, a julgar por essa desordem do vocabulário. Admito que aproximem o suicídio do martírio. Há realmente entre os dois casos um ponto de contato: ambos evidenciam um certo desdém pela vida. Mas esse ponto de contato marca oposição e não semelhança: suicídio e martírio opõem-se com dois ângulos de vértice comum. “Obviously a suicide is the opposite of a martyr”, diz Cherterton. E acrescenta: “O mártir é um homem que de tal modo cuida de uma coisa exterior que chega a esquecer-se de cuidar da própria vida. O suicida é um homem que de tal modo despreza todas as coisas que deseja exterminá-las”. E ainda: “O suicídio não é só um pecado, é o pecado. É o definitivo e absoluto mal, a recusa total de interesse pela existência, a recusa de cumprir o pacto de lealdade com a vida. O homem que mata um homem, mata um homem. O homem que se mata, mata todos os homens. De certo modo, e na medida que está ao seu alcance. Ele passa uma esponja em todo o universo. Seu ato (considerado simbolicamente) é pior que o estupro e a destruição por dinamite, porque destrói todos os edifícios e insulta todas as mulheres. O gatuno tem grande interesse por pedras preciosas. O suicida não: e este é o seu crime. Ele não se deixa tentar, nem pelas corruscantes pedrarias da Cidade dos Céus. O gatuno homenageia as coisas que rouba, embora seja descortês com o seu dono; o suicida, ao contrário, injuria as coisas, uma por uma, até por não querer roubá-las. Profana as flores dos bosques com a recusa de viver, ao menos por amor delas. E assim, não há em todo universo uma criatura, ínfima que seja, para a qual a morte do suicida não soa como um escárnio. Quando um homem se enforca numa árvore, as folhas deveriam cair em sinal de reprovação, e as aves deveriam abandonar seus ninhos em sinal de indignado protesto, porque cada folha e cada pássaro sofreu uma afronta pessoal”.

Há coisas terrivelmente desiguais que se assemelham, que tem um ponto em comum. O fariseu se assemelha ao piedoso. O impostor que distribui copos de leite em vésperas de eleição tem um ponto comum com o caridoso que visita os pobres. Assim também o suicida e o mártir. Encontram-se, mas o ponto de encontro é um cruzamento, um sinal de contradição. E o cristianismo que trouxe um novo gume para separar o bem do mal nas suas mais terríveis aderências, marcou sempre com ênfase, com exagero que toma às vezes formas espetaculares e chocantes, o abismo que separa o dócil testemunho cristão do insolente pagão. O mártir, o verdadeiro mártir, não dá seu sangue por achar que a vida não vale a pena ser vivida, não se entrega ao carrasco por desgosto ou por enfado. Perpétua e Felicidade são moças cheias de vida e de alegria. Gostam de flores e de frutos. Cantam e riem. Perpétua tem um filhinho recém-nascido; é moça; é rica. Mas não pode fazer o que dela exige o tribunal pagão: não pode renegar seu grande amor, seu Senhor e seu Deus. Não pode pronunciar uma palavra de negação e fazer um gesto de idolatria. Ela é testemunha de Cristo. Sê-lo-á até o sangue, com um gesto que faça ou palavra que diga os juizes mandam-na embora com prazer. Mas Perpétua, amando a vida, não pode renegar o Autor da vida. Se cobram tão alto preço por seu testemunho ela o pagará, aproximando-se mais d’Aquele que por ela pagou preço ainda mais alto. Dará ao Pai do céu seu rubro sangue, como ao filhinho da terra deu seu níveo leite — com alegria e com amor.

Na verdade, o mártir não despreza a vida. Ao contrário, valoriza-se de tal modo que a torna digna de ser oferecida a um Deus. Martírio é oblação, oferecimento, dádiva; suicídio é subtração e recusa. O mártir é testemunha de Cristo; o suicida será testemunha de Judas.

No sentido estrito, martírio é testemunho de fé com preço de vida. Não constitui vocação universal, a não ser que se alargue a significação do termo, conforme a passagem do Evangelho onde o Senhor nos diz: “sereis minhas testemunhas”, que em grego equivale a dizer: sereis meus mártires. A via normal de santificação é uma valorização sobrenatural de todos os atos da vida, e, por conseguinte, uma supervalorização das pequenas coisas quotidianas. O martírio será uma especial e extraordinária condensação, uma espécie de resumo densíssimo, que Deus exige de alguns que Ele mesmo designa. Por causa da singularidade dessa vocação, e para bem marcar sua procedência sobrenatural a tradição cristã que sempre teve horror ao suicídio, manifestou repetidamente sua aversão à temeridade e à imprudência. Cipriano que mais tarde terá glorioso martírio respondendo à acusação que lhe fizeram de fugir à perseguição, ensina que o autêntico testemunho de sangue é um dom de Deus. Adverte contra o que também Tertuliano chamava a “jactatio martyrii” e escreve que “a disciplina proíbe entregar-se por si mesmo” (Ep. LXXXIII, 2).

São Gregório Nanzianzeno (Or. XLIII in laudem Basilii)) ensina também que o cristão não deve expor-se à perseguição tanto para poupar um crime aos infiéis como por considerar sua própria fraqueza. Na mesma linha se encontra a advertência contida na Carta Circular à Igreja de Smirna onde Santo Irineu conta o martírio de São Policarpo (A Ordem, Outubro de 1941). Depois de louvar Germânico, diz assim a epistola: “Um apenas, chamado Quinto, que era frígio e recentemente chegado da Frigia ao ver as feras acovardou-se. Este, justamente, tinha desafiado espontaneamente o poder público e incitado outros a fazerem o mesmo. E, não resistindo às instâncias repetidas do procônsul, fez juramento e ofereceu sacrifício aos ídolos. Eis porque, irmãos, não louvamos aqueles que se entregam espontaneamente, de mais a mais, não é isso que ensina o Evangelho (cf. Mat. 10-23; Jo. 8-59; 10-39).

Por esses exemplos, que poderíamos multiplicar, vê-se bem o cuidado que a tradição católica teve nos dias mais difíceis para esclarecer uma nítida diferenciação entre o manso e humilde mártir e o voluntarioso ou fanático que, por si mesmo, ou até por virtude natural, corre ao encontro do perigo. Por mais forte razão evidencia-se o abismo que separa o suicida do mártir.

Há exemplos de temeridade e de aparente suicídio, como o de Sansão que morre com seus inimigos; e até exemplos de virgens mártires que preferiram a morte à perda da virgindade, como Santa Pelágia e Santa Sofrônia. Julgada boa a intenção dessas virgens, nem por isso a tradição católica reprova com menos insistência a temeridade. Santo Agostinho, no Livro I da Cidade de Deus, tece longos comentários em torno do suicídio, e entre outros escolhe o exemplo da pobre dama Lucrécia da antiga Roma. Profanada no corpo pela luxúria do filho de Tarquínio, ela revelou o fato a seu marido Colatino e a seu parente Brutus, exigindo deles um julgamento de vingança. Mas não esperou a punição do criminoso e matou-se. Aos que exaltavam a virtude de Lucrécia, Santo Agostinho responde dizendo que a casta e inocente Lucrécia foi assassinada. “Que castigo vossa severa justiça reserva então para o assassino? Mas esse assassino é Lucrécia, essa tão enaltecida Lucrécia; foi ela que derramou o sangue inocente da virtuosa e casta Lucrécia.

Na Cristandade medieval o horror ao suicídio toma formas que podemos julgar brutais, mas que revelam o grau de aversão por essa prática tão afastada da moral cristã. A memória do suicida era proposta à execração e o seu cadáver era arrastado pelas ruas e depois pendurado pelos pés. Na Inglaterra o suicídio era considerado uma felonia. O cadáver era deixado sem sepultura “at the cross-roads and a stake driven through the body”. Os bens do suicida eram confiscados em proveito da Coroa. Na França, conforme as leis de Luís XI de 1270, art. 88, deviam também ser confiscados os bens do suicida: “Si il avenait que aulcun hons se pendist, ou noiast, ou s´occist em alcune manière, si müeble seraient au baron et aussi de la fame”. O artigo 586 do antigo costume bretão diz que “si aulcun se tue à son escient, Il doit être pendu et trainé comme meurtrier”.

Eram sem dúvida brutais os legisladores da Idade Média, mas essa brutalidade serve para mostrar o horror que uma civilização cristã tem pela insolência de quem usurpa um direito de Deus. Convém notar, entretanto, que a moral cristã, embora sem aquelas violentas manifestações exteriores, guarda a mesma proporção que tinha na Idade Média. O suicídio é apontado como um dos mais graves pecados que um homem pode cometer. Esse juízo, evidentemente, versa sobre o dado objetivo e exterior deste. O julgamento em última instância que supõe o conhecimento das disposições interiores pertence a Deus. Pode acontecer que o suicida se arrependa no seu último instante, como foi revelado num caso especial ao Cura d’Ars. Pode ser, e esse deve ser o caso mais freqüente: que o suicida seja um louco, um doente, e portanto, um irresponsável. Essa é a hipótese mais favorável a tamanho desatino, e o melhor que se pode dizer de um suicida, nessa suposição é que morreu de doença como morreria de um enfarto. Glória nunca há em se matar. Ou fica nulo o ato, sem nenhum teor moral, ou fica terrivelmente negativo, o mais negativo dos atos humanos.

*

O boato da morte das petites soeurs foi desmentido. Elas estão vivas e continuam o incruento testemunho entre os bons e caluniados tapirapés. Dispostas, sem dúvida, a imitar o Cristo na cruz, elas continuam a imitá-lo obscuramente na Sua vida escondida em Nazaré.

(Diário de Notícias, 12 de setembro de 1954.)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Garcia Moreno: modelo de governante Católico

DEUS NÃO MORRE!

Gabriel Garcia Moreno
Vinte e um de novembro de 1852. Debaixo de uma enorme tempestade, uma cena trágica está se passando na cidade de Quito, capital do Equador. O ditador Urbina havia assinado um decreto iníquo, expulsando todos os jesuítas do país. Uma grande multidão, indiferente à chuva, se reuniu em frente do convento para assistir a saída dos religiosos que partem para o exílio. Bem junto à porta, um jovem com uma perna ferida e necessitando usar muletas, também espera. Ele é amigo do padre superior, e quando este sai, o jovem lhe diz:
- "Dentro de dez anos os senhores estarão de volta, e então nós cantaremos juntos o Te Deum na Catedral."
Os padres, um a um, vão saindo. O último é um noviço de apenas dezessete anos. Esse não tem obrigação de ir embora, porque o decreto expulsa apenas os padres. Dá-se então uma cena impressionante: a mãe do rapazinho, querendo de todas as formas segurar o seu filho, vem chorando e se deita à sua frente, barrando a saída, e impedindo-o de passar. 
O rapaz hesita, e pensa em desistir. Nesse instante, a voz autoritária e decidida do moço de muletas se faz ouvir:
– “Firme, Manoelito! Firme!”
Estimulado por este brado, Manoelito cria ânimo, pula por sobre o corpo de sua mãe, e segue com os outros para o exílio e para a glória.
A multidão se dispersa aos poucos, debaixo da chuva. O último é o moço de muletas, que se deteve para uma breve oração, e depois se afasta lento e pensativo. O jovem Gabriel Garcia Moreno fazia planos para o porvir.
Um mês depois da expulsão dos jesuítas, Garcia Moreno fundou um jornal (“La Nación”) com a finalidade de combater os crimes do governo. O ditador lhe mandou dizer que se ele publicasse o segundo número seria expulso do país. Ele respondeu:
– “Eu tinha numerosos motivos para publicar o meu jornal. Agora tenho mais um: o não desonrar-me cedendo às suas ameaças”.
Ele publicou o segundo número e foi expulso do Equador, seguindo depois de algum tempo para Paris. Na capital da França, influenciado pelo ambiente mundano, ele foi pouco a pouco perdendo o ânimo e a vontade de lutar. Foi então que se deu um fato providencial, que lhe abriu os olhos para o perigo que estava correndo, e lhe ajudou a melhorar.


“HÁ QUANTO TEMPO VOCÊ NÃO SE CONFESSA?”

Certo dia em que um grupo de estudantes atacava a religião católica, Garcia Moreno pôs-se a defendê-la com ardor. Um dos rapazes lhe objetou:
– “Você falou bem, mas eu acho que não pratica o que fala. Há quanto tempo você não se confessa”?
Desconcertado por um instante, Garcia Moreno respondeu:
– “Esse argumento vos parece bom hoje, mas eu lhe dou a minha palavra que amanhã não valerá mais”.
Deixando o local, fez uma longa meditação e depois foi diretamente se confessar. No dia seguinte recebia a comunhão. Retornou então a seus atos de piedade para nunca mais deixá-los. Comungava quase todos os dias, e rezava diariamente o terço, devoção que sua mãe lhe havia ensinado.


DE VOLTA AO EQUADOR

Em 1856 o ditador Urbina deixou o poder e Garcia Moreno pôde voltar ao Equador. Imediatamente fundou um novo jornal (“La Unión Nacional”), para combater o novo governo, que também não apoiava a Igreja. Em 1857 é eleito senador, e apresenta projeto de lei proibindo a maçonaria no país, alegando que esta era uma seita condenada pela Igreja, e que portanto não poderia ser admitida num país católico como o Equador. Por causa dessas atitudes recebeu várias ameaças de assassinato, que só não se cumpriram porque o povo o rodeava e protegia em qualquer lugar que estivesse.
Em 1859 uma revolução depõe o governo, e Garcia Moreno assumia a chefia do governo provisório. Em 1861 é eleito regularmente presidente da República, e seu primeiro ato é chamar de novo os padres jesuítas. O exílio havia durado exatamente dez anos.


OS FRUTOS DO GOVERNO CATÓLICO

“Ditoso é o povo cujo senhor é Deus”, diz a Sagrada Escritura. E ditoso foi o Equador enquanto foi governado por esse presidente que em tudo era fiel e submisso a Deus.
O primeiro período da presidência de Garcia Moreno foi de 1861 a 1865. Deixando o poder então, pois a lei não permitia a reeleição, foi novamente eleito em 1870, pela maioria absoluta e triunfal. Os historiadores são unânimes em afirmar que nunca o Equador teve tanto desenvolvimento e progresso. Abriram-se estradas de ferro e de rodagem por todo o país; fundaram-se escolas em todas as aldeias; as populações indígenas foram protegidas e receberam educação; construíram-se hospitais; abriram-se colégios e universidades. Os roubos e os abusos administrativos foram combatidos de forma radical e inexorável.


A CONSAGRAÇÃO

Mas Garcia Moreno sabia que só existe verdadeiro progresso onde há verdadeira moral, e só há verdadeira moral onde se pratica a verdadeira religião. Por isso, mandou pedir aos redentoristas espanhóis que viessem – com todas as despesas pagas pelo governo – pregar uma grande missão em todo o Equador. E ao mesmo tempo, por sugestão do padre Manoel Proaño (o “Manoelito”, que anos antes ele havia estimulado para Deus e para a fé), mandou pedir aos bispos do Equador que consagrassem o país inteiro ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Os bispos, aproveitando a ocasião de um concílio provincial, fizeram a consagração. Imediatamente o Congresso, por unanimidade a transformou em lei, que Garcia Moreno solenemente assinou. A 18 de outubro de 1873, o Diário Oficial publicou a lei em sua primeira página, impressa não com tinta comum, mas com letras de ouro. E no dia 25 de março de 1874, em todas as igrejas do Equador, o clero, os governantes e todo o povo recitaram em conjunto a consagração solene, acompanhada pelos toques de sino, e pelas salvas de canhão.
“Este é, Senhor, o vosso povo (…). Nossos inimigos insultam nossa fé, e se riem de nossas esperanças, porque elas estão em Vós (…). Que o Vosso coração seja o farol luminoso de nossa fé, a âncora segura de nossa esperança, o emblema de nossas bandeiras, o escudo impenetrável de nossa fraqueza, a aurora formosa de uma paz imperturbável, o vínculo estreito de uma concórdia santa, a chuva que fecunda nossos campos, o sol que ilumina nossos horizontes, e enfim, a prosperidade e a abundância que necessitamos para levantar templos e altares onde brilhe, com eternos resplendores, Vossa Santa Glória (…)”
E o imponente rugido dos canhões, e o bimbalhar solene dos sinos, e a música festiva das bandas militares anunciavam ao mundo inteiro que aquele pequeno povo não tinha medo de se dizer católico, e diante de um mundo ímpio e ateu, não se envergonhava de levantar bem alto o estandarte da verdadeira fé.


CARREGANDO A CRUZ

Pouco tempo depois os padres redentoristas chegaram ao Equador, e deram início a pregação das missões. Apesar das chuvas torrenciais, as igrejas estavam repletas, com milhares e milhares de fiéis. O próprio presidente, o delegado apostólico, e o arcebispo de Quito não perdiam uma só pregação. A 24 de abril teve lugar a comunhão geral das mulheres. No dia seguinte, milhares de homens invadiram as igrejas para se confessar. Garcia Moreno foi à catedral, e envolto em sua capa, se ajoelhou na fila, atrás do último penitente. O confessor o viu e lhe foi falar: “Excelência, vós deveis ter muitas ocupações. Eu o atenderei antes em confissão.” E Garcia Moreno: “Padre, eu tenho que dar o exemplo a meu povo, eu aguardo a minha vez”.
No dia seguinte, depois da triunfal comunhão dos homens pela manhã, haveria o encerramento da missão à tarde, com a procissão da Santa Cruz. Para tal havia sido preparada uma cruz enorme, que dezenas de homens juntos deveriam carregar.
No sermão de encerramento, o pregador comentou que antigamente reis e governantes “eram crentes e fervorosos, e não se envergonhavam de seu Deus, ainda que fosse um Deus crucificado. Mas (continuava ele) agora não existe mais nem sombra daqueles homens. Em seu lugar, temos reis do baralho, e presidentes da república de papel…”
O padre não pôde continuar falando. O presidente se pôs de pé, e estendendo o seu braço para o pregador, disse em alta voz:
“Padre Lopez, o senhor mente! Eu, presidente dessa república, não me envergonho de Cristo Crucificado. Eu também irei carregar a Cruz!”
O padre, que não queria outra coisa, encerrou logo o sermão, e a procissão se iniciou.
Garcia Moreno, todos os ministros de Estado, e todos os altos funcionários do governo percorreram as ruas de Quito carregando a enorme cruz. E o presidente não deixou que o substituíssem: “Não quero que isto seja apenas uma cerimônia”. E prosseguiu até o fim, tendo-se aberto uma chaga em seu ombro, como resultado de seu ardor.
Pouco tempo depois, uma revista maçônica comentou: “Quando soubemos que esse homem havia levado processionalmente uma cruz pelas ruas de Quito, vimos que a medida estava cheia, e decretamos a sua morte.” Na Europa, vários jornais maçônicos comentaram abertamente que logo Garcia Moreno iria morrer.


DEUS NÃO MORRE!

Seis de agosto de 1874. Pela manhã, o senhor presidente e sua Exma. esposa estiveram na Igreja de São Domingos, onde S. Excia. assistiu à Santa Missa, e recebeu a Sagrada Comunhão. Agora, uma e quinze da tarde, Garcia Moreno caminha para o Palácio do Governo. No caminho entra na Catedral e adora o Santíssimo Sacramento, exposto solenemente, por ser esta a primeira sexta-feira do mês.
Dez minutos depois, S. Excia. prossegue o seu caminho, e sobe as escadas que conduzem ao balcão do palácio. Então, um grupo de pessoas o cerca, e um deles, por trás, lhe desfere na cabeça um violento golpe de machado. Dois outros se adiantam e lhe dão vários tiros à queima-roupa. De novo outra machadada ainda mais forte o atira no chão, e de novo os revólveres disparam sobre ele.
Corpo de Garcia Moreno, logo após o brutal assassinato.
Seu corpo é atirado do balcão para o chão da praça, ainda com vida. Ao perceber isso, o assassino furioso desce do balcão e prossegue desferindo machadadas sobre o corpo indefeso do presidente. E grita: “Morre hipócrita! Morre infame! Jesuíta com casaca! Morre tirano!” E então, Garcia Moreno, num supremo esforço, levanta a cabeça e diz: “Deus não morre!”
O assassino tenta fugir, mas logo se forma um tumulto, e ele é preso e linchado pelo povo enfurecido. O presidente, ainda vivo, é transportado para o interior da catedral, e diante do Santíssimo Sacramento exposto, recebe a extrema unção. E alguns instantes depois, a alma desse verdadeiro católico voou para o céu.


Ricardo Pattes, “Gabriel Garcia Moreno y El Ecuador de su tiempo” – México, 1962. Severo Gomes Jurado, SJ., “La Consagración” – Quito, 1973.

Fonte: http://www.santotomas.com.br/?p=481

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Nossa Senhora Aparecida, rogai pelo povo brasileiro


Ó Virgem Maria, abençoada sois Vós pelo Senhor Deus Altíssimo entre todas as mulheres da terra. Vós sois a glória de Jerusalém, Vós a alegria de Israel, Vós a honra do nosso povo. Salve, ó Virgem, honra de nossa terra, a quem rendemos um culto de piedade e veneração, a quem rendemos um culto de piedade e veneração, a quem chamamos com o belo nome de Aparecida. Quem poderá contar, ó doce Mãe, quantas graças, durante tantos anos, Vós dispensastes ao povo brasileiro compadecida de nossos males? Quisemos cingir Vossa cabeça sagrada com uma coroa de ouro que Vos é devida por tantos títulos. Continuai a dobra-Vos benignamente às nossas preces. Quando erguemos ao céu nossas mãos suplicantes, ouvi clemente os nossos rogos, ó Virgem; conservai nossas almas afastadas da culpa, e, por fim, conduzi-nos ao céu. Salvação, honra e poder aquele que Uno e Trino, nos fulgores do Seu trono celeste, governa e rege todo o universo. Amém. 
V. A Vossa Imaculada Conceição, ó Virgem Mãe de Deus. 
R. Anunciou a alegria ao mundo todo. 
Oremos - Deus, que, por intermédio da Mãe Imaculada de Vosso Filho, multiplicastes os dons de Vossa graça em favor de nós, Vossos servos concedei-nos propício que, celebrando na terra os louvores da mesma Virgem pelas Suas maternas preces mereçamos alcançar o prêmio eterno do céu. Pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém. 
Ó Incomparável Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus, Rainha dos Anjos, Advogada dos Pecadores, Refúgio e Consolação dos Aflitos, livrai-nos de tudo o que possa ofender-vos e a vosso Santíssimo Filho, meu Redentor e Querido Jesus Cristo. Virgem bendita, dê proteção a mim e a minha famíliadas doenças, da fome, assalto, raios e outros perigos que possam nos atingir. Soberana Senhora dirige-nos em todos os negócios Espirituais e Temporais. Livrai-nos das tentações do demônio para que trilhando o caminho da virtude, pelos merecimentos de vossa puríssima Virgindade e o preciosíssimo sangue de vosso Filho, vos possamos ver, amar, e gozar da eterna glória, por todos os séculos.

Amém!