domingo, 12 de abril de 2015

Fátima - A Mensagem em Geral

De modo geral, a Mensagem de Fátima não é complicada. Os seus pedidos são de oração, reparação, arrependimento, sacrifício e desistência do pecado. Antes de Nossa Senhora aparecer aos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, o Anjo da Paz visitou-os. O Anjo preparou-os para receber a Santíssima Virgem Maria, e as suas instruções são um aspecto importante da Mensagem, a que muitas vezes não se dá a devida atenção.
O Anjo demonstrou aos pastorinhos  a  maneira  fervente, atenta e respeitosa como deviam rezar, e a reverência que se devia ter para com Deus na oração. Explicou-lhes também a grande importância de  rezar e sacrificar-se em reparação  pelas ofensas cometidas contra Deus. E disse-lhes: "De tudo o que puderdes, oferecei a Deus sacrifício  em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores."Na sua terceira e última aparição aos pastorinhos, o Anjo deu-lhes a Sagrada Comunhão, e demonstrou a maneira correcta de receber a Nosso Senhor na Eucaristia: as três  crianças ajoelharam-se para receber a Comunhão; Lúcia recebeu a Sagrada Hóstia na língua, e o Anjo partilhou o Sangue do Cálice com Francisco e Jacinta. Em todas as  Suas aparições, Nossa Senhora  sublinhou a importância de rezar o Terço, pedindo aos pastorinhos que  rezassem o Terço todos os dias por  intenção da paz. Outra parte principal da Mensagem de Fátima é  a devoção ao Imaculado Coração de Nossa Senhora, horrivelmente ultrajado e ofendido pelos pecados  da humanidade; somos convidados  com amor a consolá-La por meio de uma reparação. Nossa Senhora mostrou aos pastorinhos o Seu Coração, rodeado de espinhos (que  representavam os pecados contra o Seu Imaculado Coração), e eles compreenderam que os seus sacrifícios podiam ajudar a consolá-La. Os pastorinhos viram também que Deus está horrivelmente ofendido pelos pecados da humanidade, e que deseja que cada um de nós e toda a humanidade abandone o pecado e faça reparação pelos seus crimes  através de orações e sacrifícios.  Nossa Senhora pediu, com tristeza: "Não ofendam mais a  Deus Nosso Senhor, que  já está muito ofendido!" Também disse aos  pastorinhos que rezassem e se sacrificassem pelos pecadores, para os salvar do inferno. E mostrou-lhes uma breve visão do inferno, e em seguida disse-lhes: "Vistes o inferno, para onde vão as almas dos  pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer do mundo a  devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz." Nossa Senhora acrescentou  que, se as pessoas não deixassem de ofender a Deus, Ele castigaria severamente o mundo por meio da guerra, fome, perseguições à  Igreja, e perseguição do Santo Padre. Para evitar estes castigos,  Nossa Senhora ofereceu um remédio: voltaria para pedir a Consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração e a Comunhão de Reparação dos Cinco Primeiros Sábados. Se os Seus pedidos fossem atendidos, haveria  paz. Em caso contrário, os erros da Rússia espalhar-se-iam  pelo mundo, causando guerras e perseguições contra a Igreja, o Santo Padre teria muito que sofrer, os bons seriam martirizados e várias nações seriam aniquiladas.
Nossa Senhora indicou-nos a  raiz  específica de todos os problemas do mundo, a que causa guerras mundiais e tanto sofrimento terrível: o pecado. E depois apresentou uma solução, primeiro para todas as pessoas, e depois para os responsáveis da Igreja. Deus pede a cada um de nós que deixe de O ofender. Devemos rezar, especialmente o Rosário. Pela oração frequente do Rosário, obteremos as graças de que precisamos para vencer o pecado. Deus quer que tenhamos devoção ao Imaculado Coração de Maria e que façamos por espalhar esta devoção por todo o mundo. Nossa Senhora disse: "O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus." Se quisermos ir para Deus, temos um caminho seguro, através  de uma devoção verdadeira ao Imaculado Coração da Sua Mãe. Quando a Irmã Lúcia perguntou a Nosso Senhor porque é que Ele não convertia a Rússia sem a consagração pública, solene e específica dessa nação, Jesus respondeu: Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça a Consagração como um  triunfo do Imaculado Coração, para que, mais  tarde, coloquem a devoção ao Seu  Imaculado Coração ao lado da devoção ao Meu Sagrado Coração. Vemos, assim, que a conversão da Rússia não pode ter lugar, a menos que o Papa e os Bispos consagrem especificamente a Rússia, porque Deus reservou esta graça – esta graça especial – a este ato especial de honra e reparação ao Imaculado Coração de Maria. Jesus assim decidiu porque quer estabelecer em todo o mundo, nos corações e nas mentes dos fiéis, a importância da devoção ao Imaculado Coração de Sua Mãe. A devoção ao Imaculado Coração é o ponto central da Mensagem de Fátima. Deus determinou que a Consagração da  Rússia e a Comunhão de Reparação dos Cinco Primeiros Sábados fosse  o meio de implementar esta devoção por todo o mundo, e encarregou o Papa, os Bispos e as almas individuais de praticar e promover esta devoção. Para nos aproximar mais d’Ela, e portanto do  Seu Filho, Nossa Senhora insistiu na importância de rezar pelo menos cinco dezenas do Rosário todos os dias. Pediu-nos para usar o Escapulário Castanho. E devemos fazer sacrifícios, especialmente o  sacrifício de cumprir o nosso dever  quotidiano, em reparação dos pecados cometidos contra Nosso Senhor e Nossa Senhora. Ela também insistiu na necessidade de orações e sacrifícios para salvar do inferno os pobres pecadores. A Mensagem de Fátima, para as almas individuais, resume-se a estas coisas. Além destes temas gerais, dados na Mensagem de Fátima ao longo dos seis meses das aparições, Nossa Senhora confiou  aos pastorinhos um Segredo em 13 de Julho de 1917. Este Segredo destinava-se a todos os Católicos, mas ser-lhes-ia revelado mais tarde  (o mais tardar, em 1960), porque em  1917 ninguém estava preparado para o compreender todo. Nas suas Terceira e Quarta Memórias, ambas escritas em 1941, a Irmã Lúcia revelou a uma audiência mais  alargada as duas primeiras partes do Segredo. A terceira parte do Segredo – ou, como se costuma dizer, o Terceiro Segredo – foi escrita pela primeira vez entre 2 e 9 de Janeiro de 1944.

domingo, 5 de abril de 2015

Feliz Páscoa!

Nós do blog Tradição Católica desejamos aos nossos leitores uma santa e feliz Páscoa!
O fim do Tempo da Quaresma, recordando os Mistérios da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo encerrou-se e deu início hoje com a alegria da Ressurreição ao início do Tempo Pascal.
Pedimos a Deus em nossas orações, junto a Virgem Maria que nos deem esperança e desejo de alcançarmos a Vida Eterna.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Sexta-Feira Santa

A Morte de Cristo

Foi conveniente que Cristo morresse, pelas seguintes razões:

1. Para consumar a nossa redenção, pois, apesar da Paixão ter virtude infinita por causa da união da divindade, não foi durante um sofrimento qualquer que nossa redenção foi consumada, mas na morte de Cristo. Por isso diz o Espírito Santo pela boca de Caifás (Jo 11, 50):convém que morra um homem pelo povo. E santo Agostinho: Admiremos, congratulemo-nos, rejubilemo-nos, amemos, louvemos e adoremos, pois, pela morte de nosso redentor, fomos chamados das trevas à luz, da morte à vida, do exílio à pátria, do luto à alegria.

2. Para o aumento da fé, da esperança e da caridade.
Quanto ao crescimento da fé, aquilo do salmista: quanto à mim, estou só até que eu passe, i. é, deste mundo ao Pai. Mas, quando tiver passado deste mundo ao Pai, então serei multiplicado. Se o grão de trigo que cai na terra não morre, permanece só.
Quanto ao crescimento da esperança, diz o Apóstolo (8, 32): O que não poupou nem o seu próprio Filho, mas por nós todos o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas? É inegável que dar todas as coisas é ainda menos que entregar Cristo à morte por nós. São Bernardo diz: "Quem não se encherá da esperança de possuir confiança, se considerar a posição do corpo crucificado de Cristo? Sua cabeça inclinada, para dar-nos o ósculo da paz; seus braços estendidos, para nos abraçar; suas mãos traspassadas, para nos cumular de bens; seu coração aberto, para nos amar; seus pés cravados, para permanecer conosco". Lemos nas Escrituras (Ct 2, 14): "Pomba minha, tu que te recolhes nas aberturas da pedra".  Nas chagas de Cristo, a Igreja estabeleceu e fez seu ninho, colocando a esperança de sua salvação na Paixão do Senhor; e assim protege-se das surpresas do falcão, i. é, do diabo. 
Quanto ao crescimento da caridade, aquilo das Escrituras (Ecle 43, 3): "Ao meio dia queima a terra". Ou seja, no fervor da Paixão, ardem de amor os corações terrestres. Diz ainda são Bernardo: "O cálice que bebestes, ó bom Jesus, mais que tudo, vos fez amável. A obra de nossa redenção reivindica absoluta e prontamente todo nosso amor para si; ela faz agradável a devoção, torna-a mais justa, une-nos mais estreitamente e com maior veemência nos toca o coração."

3. Por causa do sacramento da nossa salvação, para que, pelo exemplo de sua morte, morrêssemos para este mundo. "Por isso a minha alma prefere a suspensão, os meus ossos preferem a morte" (Jó 7, 15). E são Gregório comenta: "A alma é a intenção do espírito, os ossos são a força da carne. O que está suspenso, foi erguido do chão. A alma, portanto, foi erguida às coisas da eternidade, para que morram os ossos, pois o amor da vida eterna destrói em nós toda a força da vida exterior". Ser desprezado pelo mundo é o sinal desta morte. São Gregório acrescenta: "o mar retém os corpos viventes, mas rejeita os cadáveres".
        

De humanit. Christi

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Distribuição universal da graça por Maria


A graça


A graça não é um ser material, nem mesmo um ser espiritual com vida própria, como uma alma ou um anjo, e sim uma maneira de ser. Trata-se de uma maneira de ser, que Deus produz diretamente na alma, sem que precise passar pelas mãos de Maria. A distribuição que Ela realiza se dá porque Deus a concede devido à sua intervenção. Fala-se de Maria como distribuidora e dispensadora das graças.
Essa intervenção efetiva da Virgem na distribuição das graças deve ser comparada antes de tudo a uma intercessão, porém com tais características que a tornam possível apenas no céu. O que de fato acontece é que a Virgem ama a Deus e o contempla face a face, e nessa contemplação e amor vê em Deus, como em um espelho de infinita pureza, o que o próprio Deus está vendo. Ela não vê tudo o que Deus vê, pois Deus é infinito, mas vê a parte que interessa à sua missão de atender as necessidades dos que a Ela recorrem.
É verdade que, sem a intervenção de Maria, a justiça divina seguiria seu curso, mas o próprio Deus quer que a Virgem recorra à sua misericórdia. A Virgem não pode ter outro desejo que não seja o desígnio de Deus, e só pede para seus protegidos o que sabe corresponder ao que Deus queria que Ela pedisse.

Distribuição universal da graça por Maria


Maria é distribuidora de graças de tipos diferentes: graças ordinárias e graças sacramentais, que pedimos diretamente a Ela ou a Deus, a Cristo ou aos santos; graças que solicitamos e graças que não solicitamos. Maria intervém em todas essas graças, mesmo naquelas que os hereges recebem, pois também Deus "faz levantar seu sol sobre os bons e os maus, e chover sobre os justos e os injustos" (Mt 5,45).
Maria obtém graças para todas as almas santas ou pecadoras que vivem neste mundo. 
O verdadeiro motivo da distribuição universal da graça por Maria não é a sua grande santidade, e sim sua cooperação na Redenção.
A intervenção de Maria no caso das graças sacramentais é a mesma de todas as outras graças, obtendo que a alma se mova no sentido de receber aquela que o sacramento confere.
Assim como dizia São Luís Maria Grignion de Montfort: Deus A escolheu para tesoureira, ecônoma e dispensadora de todas as suas graças; de sorte que todas as suas graças e todos os seus dons passam por suas mãos; e segundo o poder que ela recebeu, como diz São Bernardino, Ela distribui a quem quer, como quer, quando quer e quanto quer, as graças do Pai Eterno, as virtudes de Jesus Cristo e os dons do Espírito Santo.
A própria vida da Virgem nos apresenta certo número de episódios próprios a fazer pressentir essa mesma conclusão, mostrando-nos que todas as vezes que Cristo quis conceder aos homens uma graça de gênero particular, sua Mãe serviu de intermediária.
São Germano de Constantinopla, no início do século VIII, é extremamente categórico nessas afirmações: “Ninguém se salvou, a não ser por vosso intermédio, ó Santíssima Virgem. Ninguém se livrou do mal, a não ser por vós, ó puríssima Virgem. Ninguém recebe graças, a não ser por vós, ó inocentíssima Virgem. Ninguém obtém o auxílio da graça, a não ser por vós, ó augustíssima Virgem.” Dante Alighieri colocaria na boca de São Bernardo estas palavras: “Mulher, és tão grande e podes tanto, que desejar a graça sem recorrer a ti é pretender que tal desejo voe sem ter asas.
São Pio X nos da afirmação e explicação equivalentes na encíclica Ad diem illum (05/02/1904): “Por essa união de sofrimentos e vontades entre Maria e Cristo, Ela mereceu com muita dignidade tornar-se a reparadora do mundo perdido, e pelo mesmo motivo tornou-se também a dispensadora de todos os dons que Jesus nos adquiriu por sua morte e seu sangue.
Bento XV afirma a mesma doutrina com base nos mesmos motivos: “Por causa da união da Virgem com Jesus na sua Paixão redentora, as graças de todo gênero que recebemos do tesouro da Redenção nos são distribuídas, por assim dizer, pelas mãos redentoras da Virgem das dores”. Em 1921, aprovou o ofício e a missa em honra de Maria, Medianeira de todas as graças.
Pela atração materna que exerce sobre todos os homens que a contemplam na simplicidade do seu coração, Maria toma posse da alma para conduzi-la infalivelmente a Cristo.

"Se ela participou do sofrimento, é justo que também participe da glória".*
* Adaptação da resposta de Santa Joana d'Arc aos juízes, que alegavam estranheza pelo fato de ela ter levado o próprio estandarte à sagração do rei em Reims.




Fonte: Maria Santíssima como a Igreja ensina de Padre Émile Neubert.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Quarta-Feira Santa

Três ensinamentos místicos no Lava-Pés


"Depois lançou água numa bacia, e começou a lavar os pés dos discípulos, e a limpar-lhos com a toalha com que estava cingido" (Jo 13, 5)
Nesta passagem podemos tirar três ensinamentos místicos:
1. A água que lançou numa bacia significa a efusão de seu sangue na terra. Com efeito, o sangue de Jesus pode ser chamado água, pois tem poder para lavar.
E foi por isso que, na cruz, saiu de seu lado traspassado sangue e água, para dar a compreender que seu sangue tem poder para lavar os pecados. Também podemos compreender, pela água, a Paixão de Cristo. "lançou água numa bacia", i. é, imprimiu a memória da sua Paixão nas almas dos fiéis pela fé e pela devoção. "Lembra-te da minha pobreza e tribulação - absinto e fel que me fazem beber" (Lm 3, 19).  
2. Ao dizer "começou a lavar os pés dos discípulos", faz alusão à imperfeição humana; pois os Apóstolos, depois de Cristo, eram os mais perfeitos e, no entanto, precisavam ser purificados, pois tinham algumas impurezas. Isso nos mostra que o homem, por melhor que seja, tem necessidade de se aperfeiçoar; e que contrai algumas manchas, conforme aquilo dos Provérbios (20, 9): "Quem pode dizer: O meu coração está puro, estou limpo do pecado?". Contudo, estão sujos apenas nos pés.
 Outros, ao contrário, não estão sujos apenas nos pés, estão totalmente sujos. Ora, os que jazem no chão sujam-se totalmente com as imundices da terra. Do mesmo modo, sujam-se totalmente os que se apegam totalmente às coisas da terra, já pelo sentimento, já pelos sentidos.  
Mas os que estão de pé, ou seja, os que buscam as coisas céu com o espírito e o coração, estão sujos apenas nos pés. Ora, assim como o homem de pé precisa ao menos tocar a terra com os pés para sustentar-se, nós, enquanto vivermos nessa vida mortal, que precisa das coisas terrestres para o sustento do corpo, contraímos algumas manchas, ao menos pelos sentidos. Por isso o Senhor recomenda aos discípulos sacudir o pó dos seus pés (Lc 9, 5).
Diz o Evangelho: "começou a lavar", pois a ablução dos afetos terrenos começa aqui embaixo, e é consumada no futuro.
Assim, a efusão de seu sangue é significada pelo ter vertido a água numa bacia; e a ablução de nossos pecados, pelo ter começado a lavar os pés dos discípulos. 
3. Finalmente, vê-se a aceitação de nossas penas sobre ele mesmo. Cristo não apenas limpou nossas manchas, mas tomou sobre si mesmo as penas incorridas pelas nossas faltas. Nossas penas e nossa penitência seriam insuficientes, se não tivessem por fundamento o mérito e a eficácia da Paixão de Cristo. O que é significado pelo ter secado os pés dos discípulos com um linho, i. é, o linho de seu corpo.
        
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)